Quando eu era moleque, aos domingos, por volta de 1992/93, ficava acordado até tarde desobedecendo as ordens dos meus pais, fingindo que estava dormindo, ansioso para que um dos telejornais mais famosos da TV aberta, o Fantástico, acabasse. Mesmo sabendo que na segunda feira de manhã eu estaria pescando na classe, quando ainda cursava o pré-primário.
Muitos garotos como eu faziam o mesmo, todos, para descobrir em qual canto do mundo e com qual figura histórica estaria O Jovem Indiana Jones (The Young Indiana Jones Chronicles), tele-seriado exibido pela Rede Globo na época.
O personagem mais famoso dos filmes de aventura, imortalizado por Harrison Ford nos anos 80, ganhava sua versão juvenil em um dos melhores seriados de T.V que já existiu. Os produtores George Lucas e Rick McCallum, com colaboração da Amblin de Spielberg, decidiram contar a história do arqueólogo aventureiro desde quando tinha 9 anos até os tempos de faculdade, interpretados respectivamente por Corey Carrier e Sean Patrick Flanely. Nos EUA a série era exibida pela ABC e apenas uma temporada foi exibida no Brasil, pela Rede Globo.
O interessante da série, é que ela se apresenta muito distinta dos três filmes que ficaram famosos (agora 4 com o “Reino da Caveira de Cristal”). Passando por locações exóticas nos quatro cantos do planeta (foram 100 cidades usadas em 35 países na série), Indy nos 6 primeiros volumes viaja com os pais ao redor do mundo e encontra figuras históricas como o escritor Leon Tolstoi, o arqueólogo que descobriu a tumba do faraó Amon-Ra no Vale dos Reis; Howard Carter, o T.E Lawrence (Lawrence da Arábia), o pintor Pablo Picasso, o inventor da lâmpada Thomas Edison, o ex-presidente Theodore Roosevelt, o pai da psicanálise Sigmund Freud, o cartunista Norman Rockwell... Entre outros.
Cada episódio é uma verdadeira aula de história e sempre recheado de conceitos filosóficos, diálogos ricos com datas e eventos verídicos, além do entretenimento da aventura no melhor estilo “Indiana Jones”. Digo sempre, que meu interesse por História, Sociologia, Antropologia e demais áreas das Humanas se deve em muito a essa série que foi premiada em vários países, inclusive por instituições de pesquisas históricas de várias universidades, além de levar o Emmy, prêmio televisivo, mais de uma vez.
A segunda temporada da série mostra o jovem Indy ao lado de Pancho Villa na Revolução Mexicana, também fugindo de um campo de prisioneiros de guerra com o jovem capitão francês Charles DeGaulle (futuro presidente da França nos anos 40 e 50), disputando uma garota com o futuro escritor vencedor do prêmio Nobel, Ernest Hemingway, naufragando em uma ilha da Polinésia e capturado por nativos, conhece o pai da antropologia moderna; Bronislaw Malinowski, sendo abatido em um combate aéreo por Manfred Von Richtofen, o lendário Barão Vermelho, jantando com o jovem Winston Churchill, assistindo um discurso em Petrogrado, em meio uma multidão de operários russos, do Vladmir Lenin (líder dos bolcheviques), ser ajudado em uma ocasião pelo escritor Franz Kafka, aprender a tocar saxofone nos bares de jazz da Chicago de 1920 com Sidney Bechet e Louis Armstrong, encrencado com o mafioso Al Capone, sendo salvo em um hospital no meio da selva pelo famoso médico missionário Albert Schweitzer... São tantas personalidades históricas, que não dá pra escrever todas, só mesmo conferindo essa obra de arte que encanta, educa e entretém homens e mulheres dos 8 aos 80 anos. As histórias são de uma qualidade e de um bom gosto tão grande, que se pode comparar-los aos clássicos literários de Júlio Verne ou As Aventuras de Tintin e Milu, do grande cartunista Hergé.
Muitos dos episódios também foram a porta de descoberta de novos talentos que hoje são celebridades de Hollywood, o diretor Frank Darabond (de Um Sonho de Liberdade e A Espera de um Milagre), as atrizes Elizabeth Hurley, Anne Heche e Catherine Zeta-Jones, o ator que faz o atual James Bond; Daniel Craig...
Em 1999 alguns episódios foram lançados em VHS, porém apenas 12 da série que contém 44 episódios veio ao Brasil em 2001, as fitas de vídeo hoje só se encontram em Sebos ou através de colecionadores.
A série completa saiu em DVD, lançados entre 2007 e 2008, os 3 volumes de DVDs contêm os episódios da série condensados em forma de longas-metragens, totalizando 22 capítulos (44 episódios de 40 min). Isso quer dizer que eles não são apresentados da mesma maneira que foram na televisão. A perda mais notável é da abertura e encerramento que em vários episódios ocorria com um Indiana Jones de 93 anos vivido por George Hall. Particularmente acho uma grande perda, mas o que se há de fazer? Fora isso, nenhuma outra cena é perdida, inclusive contendo algumas filmagens extras realizadas em 1996.
Infelizmente os box de DVD não vieram ao Brasil, eu consegui comprar-los uma vez que estive nos EUA, mas os interessados podem comprar na Amazon.com ou no Ebay.com, além de que alguns episódios da série podem ser encontrados para download nos blogs de alguns fans.
Todos os episódios foram remasterizados à partir dos negativos originais em 16mm e a qualidade de áudio e vídeo são ótimas, segundo o site DVD Talk.
Outro fato que chama a atenção é a quantidade de extras. São mais de 40 horas de material, num total de 94 documentários sob a qualidade BBC e History Channel, que vão mais fundo em todos os acontecimentos históricos retratados na série. A série se consagrou de uma tal maneira, que também foram lançados livros e quadrinhos do jovem Indiana com histórias inéditas que não chegaram ir para a telinha.
Hoje guardo alguns livros e os episódios da série para encantar meus sobrinhos e filhos, assim como nas noites de domingo que eu ficava com insônia.
Não fazem mais seriados como este, que lástima! Vale a pena conferir.
David Vega
Abaixo: Chamada da série na TV












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