por David Vega, Celtiberos Edições
1) Para
o capitalista, os “burgueses” e defensores de tal sistema, o trabalho teria uma
capacidade, quase que “divina”, “mágica”, de criar riquezas. Aqueles que não
tem nada além de sua força de trabalho, submetem-se ao outro, o que teria
conseguido se “estabelecer” vamos dizer.
A única
mercadoria que o capitalismo inventou foi a força de trabalho, este produtivo,
que geraria a MAIS VALIA, e o “útil”, pragmático, essencial para as
necessidades básicas cotidianas, o cultivo, a higiene etc. Em todas as
sociedades ninguém irá receber a riqueza que vai produzir com seu trabalho. Uma
parte vai pegar a parcela do que produz para distribuir, sempre haverá aquele
que produz mais e o que produz menos, causando sentimentos de injustiça entre
os elementos que interagem dentro de uma sociedade que força o igualitarismo
(sendo que tudo o que compõe a natureza não é sempre equidistante, uniforme e
totalmente “justa”, igualitário, o homem cria uma realidade artificial, e por
mais que se tente essa total igualdade, ela sempre será utópica). Devido tais
fatores faz-se surgir instituições ou grupos administrativos, para a
redistribuição de renda, o que não deixaria de ser uma forma de Estado.
A própria URSS
fez isso, resumiu-se em base no trabalho “útil” praticamente, não conseguiram
enxergar além do conceito de trabalho, resumindo todas as aspirações humanas,
toda a complexidade de nosso interior, apenas no conceito de trabalho e as
coisas que compõe ele (principalmente no conceito de salário, particularmente,
eu acho que isso é importante e válido também, claro, mas é muita prepotência
resumir todos anseios humanos a um, dois ou meia dúzia de conceitos, mesmo que
fossem mil, jamais chegariam próximo de uma “perfeição” como essas ideologias
utópicas afirmam alcançar). Com isso, se fortificou o Estado, chegando ao
totalitarismo na URSS, com Stalin à frente (sendo que o próprio Marx negava o
Estado, não conseguiram ver além deste, e acabaram por reproduzir o mesmo
sistema que antes os oprimia, porém com alterações, que particularmente acho
mais “reformistas” do que “revolucionários”). Precisaram gerar MAIS VALIA para
se manter, forçando o igualitarismo, tornando o sonho da sociedade justa em uma
ditadura opressora.
Trabalho
abstrato é trabalho social. Tudo o que se faz foi aprendido com alguém que
aprendeu, sempre haverá um trabalho a ser realizado, há uma dependência
temporal e espacial quanto ao trabalho de alguém (vestir, comer, se entreter
etc). É o exercicio de um trabalho abstrato, algo até relacionado àquela coisa
de solidariedade orgânica. Marx critica o “fruto integro do trabalho”. As
coisas não surgem do nada, além da mão de obra tem a matéria prima. Ele
aceitaria uma forma ou ao menos uma ideia de “Estado” em um momento futuro no
que diz respeito a uma centralização para a redistribuição.
“O fruto íntegro
do trabalho transformou-se já, imperceptivelmente, no fruto parcial. Ainda o
que se retira ao produtor na qualidade de individuo, a ele retorna, direta ou
indiretamente, na qualidade de membro da sociedade”.
2) “De
cada qual segundo suas capacidades, a cada qual segundo suas necessidades!” K.
Marx.
O fruto do
trabalho pertence integralmente, por “Direito Igual” a todos os membros da
sociedade.
O que
significaria “Distribuição Justa”? Por acaso, não afirmam os burgueses que a
distribuição atual é justa¿ E de fato, não é ela a única distribuição justa,
sobre a base do atual modo de produção?
São as relações
econômicas reguladas por conceitos jurídicos? Ou, pelo contrário, não são as
relações jurídicas que emergem a partir das relações econômicas?
Marx passa a
defender uma sociedade no qual os meios de trabalho são propriedade comum e o
trabalho, em seu conjunto, regulado de modo cooperativo; “O fruto do trabalho
pertence pelo Direito Igual a todos membros da sociedade”. Porém e os que
trabalham? Onde estaria o “fruto integral do trabalho” ¿
No interior da
sociedade cooperativa, fundada sobre a propriedade comum dos meios de produção,
os produtores não trocariam seus produtos. Também não surgiria o trabalho
transformado em produtos, enquanto valor desses produtos, tal qual uma
quantidade objetiva, por eles possuída, uma vez que em oposição à sociedade
capitalista- os trabalhos individuais não mais existiriam (chegando a um
radicalismo em que até mesmo o sentimento foi “proibido”, pois sentir algo em
particular seria crime de individualistas, coisas de burguês, e você podia ser
assassinado por isso, da maneira em que foi interpretada e imposta na URSS,
claro que a teoria não fala que tem que ser assim, mas foi assim que
implantaram), indiretamente, mas diretamente, como partes integrantes do
trabalho comum. O mesmo aglomerado de produção e trabalho que a sociedade
produzir de alguma forma, receberia de volta em outra forma.
Esse Direito
Igual seria desigual para trabalhos desiguais. Esse Direito não iria conhecer
nenhuma distinção de classe, porque cada qual seria apenas trabalhador, tal
quais outros. Porém, conheceria, tacitamente, o talento individual desigual e,
por isso, a capacidade de prestação de trabalho, como privilégios naturais.
Um exemplo atual
em que podemos aplicar partes desse conceito, seria o fato de a classe média
pagar impostos maiores mediante sua renda e local de residência na cidade, em
comparação às outras classes menos favorecidas.
3) Marx
já classificava os estabelecimentos de ensino, a tendência de se tornarem
fábricas privadas da Educação, que vendem seu produto ou serviço como mais uma
mercadoria e cujo objetivo primordial é a MAIS – VALIA.
No Manifesto
Comunista ele afirma que é dever do Estado garantir educação pública e gratuita
a todas as camadas da sociedade. Isso, deveria se aplicar não só à educação,
mas as coisas mais básicas, como moradia, saúde etc.
Curioso é que em
contra ponto a essa visão marxista, já em 1823, Thomas Hadgskin escreveu: “É
melhor não ser educado, do que ser educado pelos seus governantes”. Enfim,
discussões à parte, comentarei a visão de Marx;
A educação é um
processo fundamental para a criação de estruturas de pensamento, para a
inovação ou mesmo a manutenção de um Sistema. Marx considera a educação como
parte do Sistema econômico incorreto, estando ao seu serviço. Ela teria que ser
algo à parte das questões econômicas, uma vez que inserida nesse meio, serve
para perpetuar esse conceito, como um instrumento mantenedor do mesmo. A
qualidade da educação não está na capacidade produtiva que ela pode te
habilitar, mas também na capacidade crítica e introspectiva no indivíduo. “O
homem deve ser caçador, pescador ou crítico, e não pode deixar de o ser se não
quiser perder os seus meios de subsistência.
4) Vivemos
em uma época ambígua para os Estados Nacionais. Porque estes ainda possuem os
instrumentos de coerção e a legitimidade para usá-los. A globalização do último
século transformou grandes empresas nacionais em “mega aglomerados”
multinacionais. Daí surgem os defensores de que o Estado está se extinguindo, e
aqueles que afirmam ainda uma capacidade e influencia dele nas medidas finais,
nas tomadas de decisões.
Não há mais a
divisão bipolar do planeta, embora os Estados sigam praticamente o mesmo
sistema (com suas particularidades regionais), não existe mais uma diferença
clara de tendências. Seria um globo com múltiplos Estados, múltiplos polos de
influencia, que se unem em organizações de mercados comuns e políticas: União
Europeia, Mercosul, de finanças, OMC, FMI, saúde OMS, militares como a OTAN e
por aí vai.
A mundialização
das principais atividades econômicas, de entretenimento, capitais e fronteiras,
criou uma situação em que se torna mais simples do que nunca a criminalidade
transfronteiriças aos quais se junta o crescente problema do ambiente. Daí
ainda se mantém o poder do Estado como mediador desses fatores e outros, que
refletem inclusive na área econômica, os mercados e suas proteções com produtos
externos para assegurar a produção local, há um limite por exemplo, de
importações de carnes no mercado europeu, para valorizar e proteger o produtor
local, se “abrisse” totalmente o mercado, as exportações da América do Sul,
pela quantidade e o preço, acabariam com esse segmento do mercado local deles.
5) Com
o crescimento do comércio mundial, fez-se surgir a internacionalização dos
processos produtivos e a revolução nas comunicações, permitindo a circulação de
dinheiro, informação e mercadorias (ela em si mesma representa mais dinheiro).
O Estado perdeu o poder, mas ganhou poder na questão da gestão de pessoas, ele
é responsável pela paz interna, bem como as condições de trabalho.
Há essa
tendência de “Democratização do Mundo”, que a meu ver não ocorre de uma maneira
mais completa, o próprio conceito de Democracia deveria ser revisado, hoje,
esse conceito na maioria dos países está ligado ao direito de voto para a
população, e o intermediador de qualquer relação: O Mercado.
A Democracia tem
mais direitos e elementos do que apenas a capacidade econômica, o conceito é
relacionado apenas a essa parcela que o compõe. Além desses fatores ainda,
mesmo que por vias não tão iguais, os Estados e suas relações conseguem implementar
suas políticas através de “articulações” entre elementos que formam a maioria
na base “aliada”.
6) É
necessário identificar as insuficiências ou inadequações do Estado-Nação para
tentar prever que tipo de transformação ocorrerá na sua estrutura e no seu
funcionamento por força do processo em curso de globalização. As falácias
seriam: O reconhecimento dos direitos humanos como normas que requerem a adesão
de todos os Estados, independentemente de suas leis internas.
A ampla
distribuição de armas nucleares e de destruição em massa, que eliminam a
“segurança” da fronteira física territorial. A proliferação, com isso, de
ameaças globais transnacionais, danos ao meio ambiente, perigos da migração,
criação de uma rede global de comunicações capaz de penetrar fronteiras
virtualmente.
É a guerra,
segundo Claus Offe, que seria o motor das transformações, procuramos evitar ao
máximo a guerra, por conta da tecnologia avançada que seria capaz de aniquilar
a humanidade e acabar com o globo terrestre.


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