segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O Antiquário e Outras Crônicas (David Vega)

 


(Em Breve!)

A memória não preserva capítulos longos de um livro. Ela prefere fragmentos, fiapos do tempo. Para que a literatura tenha um texto impresso, antes, é necessária uma intuição sensorial igual à luz do sol térmica nos olhos do autor quando se escreve ao ar livre ou a míope e breve cegueira das noites em claro ao preencher o diário sob a fresta de uma lamparina fosca.

Se pudéssemos guardar os lapsos de memória, seria como um Antiquário, do qual cada bugiganga esquecida em uma empoeirada estante de porão tem uma história por detrás. Faço então da grafia este recurso à lembrança, cujas imagens sobrepostas e desuniformes formam um todo.

Neste livro, as crônicas são curtas, iguais às experiencias vividas e a brevidade da existência, no entanto dizem muito não só pelo recurso em que foram selecionadas, dentre muitos eventos passados, mas suas entrelinhas.

SINOPSE:

Dizem não ser possível distinguir o vivido do imaginado. As imagens em nossa mente trariam iguais sensações. Por vezes, podemos estar certos de algum evento passado e depois de um tempo, percebemos que nada daquilo ocorreu, ou não foi igual achávamos ter sido devido à memória.

O presente livro se faz valer de tal afirmação; são crônicas do dia-a-dia absorvidas pelo olhar maduro de alguém que seguiu nas Ciências Sociais, mas jamais abandonou a questão literária.

As memórias presentes estão sob o signo do delírio e da certeza do vivenciado, por mais que tenham sido escritas depois de anos dos acontecimentos. Nelas, o leitor terá acesso aos adendos históricos que enriquecem o texto, diante de um historiador que analisa trajetórias de indivíduos e personagens da vida real, não só de acontecimentos extraordinários.

A poética de seus parágrafos denuncia uma forte humanidade do autor, analisando minuciosamente cada instante, assim como o pesquisador ao colocar o inseto no microscópio. Não há uma abissal diferença entre o cientista e o artista, e este livro é prova de que o conhecimento erudito pode servir às páginas carregadas de anedotas corriqueiras de nossa vida cotidiana.



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