Por: David Vega
Texto escrito em comemoração do 14 de Juillet de 2014, no
dia da Queda da Bastilha. Historicamente podemos apontar uma progressão dos
acontecimentos, que estão totalmente relacionados com a mentalidade da França e
seus novos ideais, por consequência, do povo em geral.
Mesmo que se possa afirmar que a participação do exército
francês na Guerra de Independência dos EUA tenha de certa forma contribuído
para a inquietação do povo e das milícias na França, com um absolutismo
decadente, a principio eles não tiveram um planejamento durante a emancipação
do povo na revolução, seguido de entendimentos e desavenças entre Jacobinos e
Girondinos e a Fase do Terror, após a queda da Bastilha e a s milhares de
cabeças rolantes na guilhotina.
A falta de planejamento ou uma concepção mais moderna
(contemporânea) de República fez, ascender uma figura ditatorial (carismática,
endeusada, até hoje) de Napoleão Bonaparte, mas que foi decisiva para levar os
novos ideais às demais nações europeias e a provocar reformas nas monarquias de
caráter absoluto.
Talvez não seja precipitado e faz muito sentido (a meu ver)
uma leitura de que diferente dos EUA, a Revolução Francesa implicou em um
evento interno, o sentimento independentista não era contra um império
estrangeiro (apesar da monarquia ter tido ligações com a casa dos Habsburgos da
Áustria e os Bourbóns), como EUA X Inglaterra, mas sim foi do povo para com
seus representantes (Isso pode explicar mais a centralização do caráter francês
e a própria decisão de manter a monarquia, mesmo após o aniquilamento de Luis
XVI e Maria Antonieta), quando Napoleão se auto-coroa é um símbolo de união
entre os dois polos extremos.
Ora, a liberdade que durou pouco tempo, fazendo emergir um
líder de caráter ditatorial (a Anarquia leva à Ditadura), uma República que só
foi se consolidar (com a França desfragmentada) durante e após a Segunda Guerra
Mundial (Vide a República de Vichy, que ainda carregava a característica
agrária aristocrata) pelos esforços do grande General DeGaulle.
Portanto, considero importante a divisão em etapas desse
evento, pois nada é uno dentro de uma análise, antes e durante a revolução o
lema foi: “Liberdade, Igualdade e Revolução”, somente no século XIX a palavra
“Fraternidade” foi incorporada.
A visão do momento exato da revolução é idealizada, seus
feitos mais “justos”, “coletivos” pela fortificação e manutenção dos direitos
civis só viria ter essa configuração que entendemos, do final da Segunda Guerra
pra cá.
A Rev. Francesa influenciou diversos movimentos
independentistas pelo mundo, incluindo a República Rio Grandense e a
Catarinense aqui no Brasil, que leva um gorro vermelho (barrete frígio dos jacobinos) em seu
brasão e bandeira.
Brasão do Governo do Estado de Santa Catarina, com o gorro
jacobino vermelho ao topo
O pessoal da Gironda seria aquela burguesia de um nível médio entre as duas camadas externas, estariam em uma posição mediana na pirâmide que representava a sociedade. Era composta de empreendedores, donos de comércios e produções de exportação, ou uma aristocracia rebelde que nitidamente estaria descontente com a monarquia absolutista vigente, seriam uma espécie de “moderados”, como os “mencheviques” na Revolução Russa de 1917. Sentava-se à direita do monarca no congresso/parlamento.
Os Jacobinos eram a ala mais radical, revolucionária, composta de camponeses, artesãos e soldados, sentavam-se à esquerda do monarca, o que resultou nas clássicas nomenclaturas que usamos até os dias atuais. À direita (Girondinos) estaria algo que se aproxima à reação, e à esquerda, revolução.
Hoje fica difícil atribuir categoricamente, em uma generalidade, os termos “esquerda” e “direita”, com a configuração dinâmica e complexa da pós modernidade, elas ainda se fazem com certo sentido, mas diria que com o passar do tempo deixarão de existir, ou simplesmente serão pronunciadas no popular, mas sem a oficialização para definir grupos opostos, partidos, indivíduos ou instituições.



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